Jermango Dreaming

Jermaine Sakr. É este, o nome próprio que despoleta, posteriormente, a invenção de Jermango Dreaming. Chega-nos de Sydney, esta que se tem vindo a assumir como uma cidade produtiva, no que toca a bons e variados descobrimentos musicais.


Neste projeto, somos atingidos, na sua maioria, por batidas ritmadas e dançáveis. Visitamos um pop psicadélico, este que tem na sua constituição um sabor de épocas transatas, o que nos permite ficar a flutuar, agradavelmente, na nostalgia. Não damos pelo tempo passar, apesar do mesmo já ter passado. O funk dos anos 70 e 80, concilia-se com a proposta musical de Jermango, atribuindo-lhe um ênfase ainda mais festivo e descontraído. O mundo eletrónico é explorado com a sabedoria de quem se coloca no papel do ouvinte, e daquilo que ele necessita ou espera ouvir. Aliada a essa relação com o mundo eletrónico, está uma competência na sua execução que se torna apaixonante.


O som que, hoje, nos chega de Jermango, é um reflexo daquilo que, outrora, lhe chegou na infância. Além dos discos dos anos 80, que teimavam em fazer-lhe companhia, a principal influência deriva do seu próprio pai. Este que era o proprietário de uma discoteca e, como tal, isso, acabava e começou, por influenciar os gostos e preferências de Jermango, desde a sua idade mais tenra. Percebemos, com naturalidade, que as suas influências provinham de contactos e meios que lhe eram diretos. Não existe distância entre a criação e o resultado final. Isso contribui para que este projeto seja arielesco e leviano. Isto, no melhor sentido da palavra.
Este projeto, de forma caricata ou não, conta com pouco mais do que quatro canções. Em 2017, fomos brindados com dois temas, são eles: “I Want You” e “Modern Day Living”.

Enquanto que, em 2019, fomos brindados com outros tantos: “La-Dee-Da” e, o mais sonante, “Breeze”. Este último tema, teve uma origem simples e minimalista, na sua mensagem. A canção surge e tem como inspiração, um pseudo encontro com a independência. Para chegar até ela, usa-se uma estrada, vezes e vezes sem conta, para se ir comprar algo tão simples como o café.


Conseguimos, ainda, encontrar alguns sons mais antigos de Jermango Dreaming. São poucos, mas existem, numa espécie de esquecimento muito sensível, como é o caso da música: “Sleepover”.


Em Jermango Dreaming, assistimos a uma necessidade de desvinculo perante o mundo artístico, perante a pressão de ter um álbum bem estruturado e com múltiplas faixas. O que nos chega de Jermango são, quase sempre, singles. A arte é tomada e dada a ser consumida, de forma isolada e com um relativo espaço temporal, entre cada lançamento. Não existe uma provocação sobre a arte. Não é estritamente necessário que ela se apresse e exista em grandes doses, só para satisfazer o mercado. A música em Jermango, tem de ter alguma razão de ser.

Só assim a música pode ser levada como algo consistente, da mesma forma que, só assim se está a ser fiel ao sentimento e ao espírito que motivam a criação musical.
Além deste projeto, Jermango faz ainda parte de bandas, como: Dives e Hector Grachan.
Jermango Dreaming, tem a liberdade para decidir quando faz música e, quando a tem, sabe mesmo de como pode e a deve usar. Jermango faz-nos sonhar, nas noites mais quentes e menos frias, do Verão!

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