CELSO

CELSO, eles que tinham tudo para ser uma espécie de Bando dos Quatro e, só não o chegam a ser, porque a banda, essa, é constituída por cinco elementos. As raízes destes rapazes pertencem a Benfica. Todavia, o fruto musical que advém da banda pertence a todo um país, o nosso. Este que fica bem servido com aquilo que de tão bom se faz por Benfica. Benfica é mesmo um dos melhores presságios que esta banda poderia carregar. Os titulares indiscutíveis de CELSO, são: Duarte Igreja, João Paixão, João Pedro Lima, Martim Baptista e Miguel Casquinho.


A banda presenteia-nos com investidas sistemáticas naquele que é o espectro do rock alternativo, viajando também, até àquele mundo mágico que é adjacente ao estilo mais indie do próprio estilo musical. Ingerimos as canções da banda compulsivamente. Engordamos de encanto. Instala-se uma saudade diária daquilo que a banda nos oferece. Saudade essa, que só é colmatada e consolada quando colocamos em reprodução um tema qualquer. Este grupo é mesmo isso, é saber de antemão que qualquer faixa nos deslumbra. Por norma, os produtos de maior qualidade são caseiros. Nesta banda, essa teoria confirma-se e, mais do que isso, sai fortalecida. As primeiras abordagens da banda surgiram numa marquise. Prova de que esta divisão, quase sempre ingrata, pode ser o berço de projetos com um potencial bem esdrúxulo. Marquise, foi esse o nome da maternidade de CELSO.


A banda compôs muitos daqueles que são os seus êxitos, até ao momento, naquela divisão, naquele espaço que é dono de inspiração e, por sua vez, um espectador sortudo e assíduo da criação. Prova de que quando a vontade conhece uma marquise algo de grandioso pode acontecer. Aliás, aconteceu.


As experiências sonoras levadas a cabo na já tão frisada marquise, conta com outros instrumentos caricatos, como por exemplo, o uso de microfones do nostálgico Singstar. Nesta divisão que nunca dividiu ninguém, mas que antagonicamente servia para juntar todos os membros, surgiram e deram à luz os primeiros rasgos de singles mais antigos, ainda que paradoxalmente recentes, do grupo. Entre os quais: “Brandão” e/ou “Espanhola”.


Por falar em “Brandão”, o primeiro EP de CELSO está a querer mergulhar pelos vossos ouvidos dentro. Encontra-se disponível no tão recomendável Bandcamp. O “CELSO #1”, é o EP de estreia que pode e deve ser ouvido na plataforma. Consultem que é um bom remédio.


Apesar da relação intrínseca da banda com o espaço, esta viu-se forçada a transitar para um outro espaço, nas redondezas de Benfica. A banda, começou então, a frequentar e a ensaiar num café – snack bar, de nome: Delícia. Mais uma vez, assistimos a outro presságio espacial que faz pandã com aquilo que a banda nos oferece. Nem dá bem para imaginar, o que é estar a meio de uma tosta mista e de um trago de cerveja e, de repente, começarmos a ouvir CELSO a ensaiar. É paradisíaco. Apesar desta mudança, no que toca à maternidade das suas produções a banda nunca abandonou definitivamente a marquise. É a chamada gratidão.


Em 2019, é lançado o EP: “Queres É Conversa”. Este EP, contou com a participação do Luís Montenegro, da Cuca Monga. Além desta colaboração, este EP tem consigo a particularidade de ter sido gravado em live take. Compõe o EP, os seguintes temas: “Leiria”, “Lagartixa” e “Marvila Drift”.


O tempo traz consigo a benesse de nos ir brindando com singles de CELSO, e foi com grande recetividade que ouvimos, mais recentemente, faixas como: “Queimar Tempo” ou “Tá Tudo Bem”. Sempre que necessitarmos de incendiar o tempo com utilidade sabemos o que ouvir. Sempre que as coisas não se encontrem bem sabemos o que fazer para estar. Estes dois singles são icónicos, ouvem-se uma e outra vez em VAR, isto é, em repetição. Na entrevista disponível no site, a banda explica detalhadamente o desafio que esteve inerente ao desenvolvimento da: “Tá Tudo Bem”.


A base impulsionadora da criação encontra-se na linha instrumental, esta que é construída com maturidade e múltiplas texturas sonoras. Feita a base instrumental, explorados os resquícios sonoros, as letras surgem e encaixam-se naquilo que de bom foi previamente feito.


Com o som chega-nos, também, uma vasta e agradável capacidade criativa no campo visual. Quando ouvimos, podemos e devemos ver. A companhia das imagens dá um corpo ainda mais robusto aos sons da banda. O som sai tonificado quando nos entra nos olhos. Assistimos a uma química tónica e percebemos do que a amizade é feita. Além das aparições dos membros da banda, temos acesso a uma panóplia de trechos que se definem, muitas das vezes, pela indefinição a que dão abrigo. Temos um retrato fidedigno dos dias, dos momentos e das vivências partilhadas. A arte visual em CELSO tem peso e relevo. Completa, de forma eficaz, todo este projeto incrível que não se esconde do que quer ser e ter. Por isso e sempre que possível, ouçam e vejam aquilo que a banda disponibiliza.


Era fácil continuar aqui a escrever sobre CELSO, mas muito. São proprietários de um som nutritivo e enriquecedor. Sempre que os ouvimos ficamos com a sensação de que estamos perante algo muito mais experiente. Parece-nos um grupo com outra idade. Só é possível a obtenção destas sensações quando estamos perante talento puro e musical. Sons repletos de camadas e dinâmicas assinaláveis. A harmonia dos instrumentos e o consenso que é encontrado entre cada nota são sublimes. O equilíbrio entre as transições nas mais diversas fases que albergam cada música é prodigioso. São uma personificação da alegria, pouco tímida e tão evidente. É tudo tão orgânico e saudável. A filosofia da banda é cativante e necessária. CELSO tem tanto valor que até fico admirado por ainda não se encontrarem em exposição num museu.


Aguardamos com ansiedade, pelo momento em que teremos o primeiro álbum da banda à solta. Esperemos que o futuro lhes seja generoso para que comecem a colecionar uns quantos palcos. Aqueles que são mais do que merecidos. O trajeto de CELSO enquanto banda é paralelo ao percurso universitário de cada elemento. Este dado faz com que tenhamos de lhes conceder ainda mais mérito.


Do melhor que o país tem para dar e ouvir. Mesmo que não sejam religiosos, acreditem quando vos digo que estamos perante uma enorme promessa!
Fiquem a conhecer um pouco mais da banda e passem pela entrevista. Conversa fluída, repleta de curiosidades e digna de um bom serão de lazer. Vistas bem as coisas, é do melhor que podem fazer esta tarde. Divirtam-se e usufruam!


Obrigado CELSO, e que no futuro nos possamos encontrar e cruzar no espaço mais propício de todos.


Com vocês está sempre tudo bem!

Não percas a entrevista com os Celso aqui!

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