Entrevista – CELSO

1 – Olá malta! Bem, os inícios são, quase sempre, um pouco constrangedores e muito ricos em indecisão. Prova disso, é este “não saber” por onde começar. Com isto, acabei por construir uma boa ponte para vos perguntar: O que é que vos levou a enveredar pelo mundo da música? Podem e devem viajar até aos primórdios da vossa origem, o bilhete está pago.


“Boas! É uma pergunta difícil de responder. É capaz de não ter havido propriamente uma razão bem definida e sim características propícias para avançar pelo mundo da música. Antes de CELSO estivemos em outras bandas, alguns juntos outros separados e foi a evolução de uma dessas bandas que levou a CELSO. O Paixão, Igreja, Martim e Pedro foram pescar o Casquinho a uma outra banda para ocupar o lugar do baixo e a partir daí “enveredámos” pelo mundo da música. Muitas composições e concertos depois podemos afirmar que estamos contentes com um percurso que já vem desde 2017.”


2 – Têm formação musical? Ou simplesmente escolheram a música como uma espécie de alvo hipotético de uma possível paixão?


“Não podemos dizer que temos uma forte formação musical. De todos os membros apenas o Pedro não estudou numa escola de música e os que estudaram foi apenas para aprender a tocar os seus instrumentos. De qualquer forma podemos dizer que é a combinação do que aprendemos com o nosso gosto de criar música que resulta. Aquilo que gostamos de fazer é música e tentar ser originais no que fazemos ao mesmo tempo que vamos buscar várias influências aos mais diversos artistas que gostamos de ouvir.”


3 – Se tivessem que escolher um palco para atuar, qual é que seria? Para simplificar a questão, embora possa tê-la complicado neste mesmo instante: Qual é que é o vosso palco de sonho? E porquê?


“Existe uma ambição desde que a banda foi criada de tocar no Musicbox. Esse será sempre o palco a que ambicionamos chegar. O ambiente é qualquer coisa. Não existe bem um porquê mas sim mais uma identificação com o espaço e a sua agenda. Para além de que os concertos a que fomos lá foram sempre muito bons e com uma atmosfera espetacular. Mas o sonho também chega a outros cantos. Seria incrível poder pisar o palco do Vodafone Paredes de Coura. É um festival com o qual nos identificamos muito e chegar a esse patamar seria uma concretização muito importante para nós enquanto banda.”


4 – Qual é a história mais embaraçosa que podem contar enquanto banda? Se não tiverem nenhuma, sintam-se na liberdade de inventar uma, agora mesmo.


“O mais próximo do embaraçoso aconteceu num concerto no Popular de Alvalade. Na altura era um dos primeiros concertos num espaço importante e queríamos que corresse tudo na perfeição. Podia ter sido perfeito ou muito próximo disso se duas coisas não tivessem acontecido. Primeiro, a corda de uma das guitarras partiu-se a meio de uma música. Quase que pausámos o concerto para trocar a corda no palco. Aprendemos a lição e desde então levamos sempre uma guitarra extra só para o caso. Segundo, a beatmachine de um dos nossos teclados ficou ligada num preset de rumba durante uma música inteira e inovámos a Tá Tudo Bem com poliritmos.”


5 – Se tivessem de trocar de instrumentos durante um concerto, quem ficaria com o quê?


“Isso seria capaz de não correr muito bem. Se quisermos que resulte o suficiente para entreter o público o Martim e Casquinho saltariam para as guitarras, o Paixão para a bateria, Igreja nas teclas e Pedro no baixo. Não podemos prometer que haja música, mas o resultado seria algo parecido com música.”


6 – Qual das vossas músicas foi, até ao momento, a mais desafiante de produzir? De onde surgiram as dificuldades dessa mesma música, até ela estar finalizada?


“Provavelmente a música mais desafiante de produzir tenha sido o Tá Tudo Bem. Não foi a primeira que tentámos gravar por nossa conta, mas é uma música com mais camadas que outras anteriores. Na altura ensaiávamos numa cave/salão de fados de um café de Benfica e a sala não tinha a melhor das acústicas para além de que ainda estávamos um pouco à descoberta. Felizmente o mix e master não ficou por nossa conta e enviámos as gravações ao nosso amigo Luís Montenegro que fez um excelente trabalho. O videoclip também foi outro desafio. Passámos um dia inteiro por Lisboa a improvisar uma ideia mais ou menos planeada e foi exaustivo.”


7 – Qual é a pergunta mais irritante que vos costumam colocar? (Se essa pergunta, porventura, estiver presente neste artigo, abstenham-se de a frisar)


“A pergunta mais comum e consequentemente mais irritante costuma ser: “De onde surgiu o nome da banda?”. É uma pergunta com sentido, mas a verdade é que como não sabemos bem o que responder, a pergunta torna-se complicada. Não existe uma resposta clara. Engraçámos com o nome e ficou.”


8 – Quais são os principais objetivos que esperam alcançar no panorama musical português?


“Um dos objetivos que se está a concretizar é a criação de um álbum. O segundo objetivo é que o álbum tenha sucesso. Seria incrível, como já dissemos poder tocar no Vodafone Paredes de Coura e chegar a cada vez mais pessoas. Apesar de inspirações e referências serem inevitáveis também seria muito bom sinal deixarmos de ser aquela banda que referencia outras para passar a ser a banda que inspira outras. No fundo só queremos divertir a malta e chegar ao máximo de pessoas que conseguirmos quer seja em concertos, na rádio ou no Spotify. Se o pessoal está bem nós estamos bem.”


9 – Quiz Com (Pouca) Noção


Basicamente, vocês têm o privilégio de inaugurar esta rubrica. As regras são simples:

-Têm de responder com a máxima seriedade possível, isto é, sempre com noção;

-No entanto, se não tiverem noção? Tanto melhor.

-Respondam, cientes de que as repostas podem gerar conflitos no seio da banda.


a) Em plena atuação, qual seria o elemento que, com o entusiasmo, se deixaria levar mais facilmente pela arte do improviso?


“O Martim sem dúvida.”


b) De todos vocês, qual seria aquele que se deixaria apalpar pelo público, ou seja, em termos técnicos: Qual seria o membro, com a maior dose de coragem para se atirar para o mar… de gente?


“O Pedro é perito em crowdsurf.”


c) Se um concerto, de repente, fosse um casting de Holllywood, qual de vocês teria a arte e o engenho para ser o mais convincente, na seguinte mensagem: “É um privilégio estar neste palco, diante de todos vós. Vocês são o melhor público do mundo!”


“Pedro.”


d) Quem é que é o mais criativo a inventar desculpas para se esquivar deste ou aquele ensaio?


“O Martim.”


e) Se tivessem de escolher, entre vocês, uma mascote, quem é que seria e porquê?


“O Casquinho. Tipo simpático, bem composto e difícil de não gostar.”


10 – Que bandas fazem parte da vossa playlist?


“Desde o início de CELSO que já muitas bandas passaram pela nossa playlist. Capitão Fausto, Modernos, Luís Severo foram muito influentes no início. Mas os nossos gostos também variam e passaram por vários estilos. LCD Soundsystem, King Gizzard & the Lizard Wizard, Parcels, Heróis do Mar, Lemon Twigs, Fleet Foxes, Car Seat Headrest… Há muitas bandas que nos inspiram e gostamos sempre de ir buscar um pouco de tudo o que ouvimos, desde o nacional até ao internacional.”


11 – Este é o 11 titular, já a tática essa, é toda vossa. Obrigado pelo momento, pela oportunidade e, sobretudo, pela vossa grandeza!


Não vos queimo mais tempo!

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