Terno Rei

Os Terno Rei são um grupo de quatro rapazes, isto além de serem de São Paulo. A banda iniciou a sua jornada em 2010. Esta banda tem no seu ADN um rock psicadélico e alternativo. Também integram na sua sonoridade o sempre tão belo Dream Pop. São um grupo muito prestável, por tudo aquilo que fazem questão de nos entregar, sem nunca lhes termos pedido nada. Esta banda atende as nossas necessidades com competência.


O grupo estreou-se com o EP “Metrópole”, em 2012. Depois deste EP, em 2014, surgiu o primeiro álbum, o “Vigília”. Em 2015, a banda voltou a lançar um EP, o “Trem leva as minhas pernas”. Este trem não levou a qualidade da banda, uma vez que essa é omnipresente. Este EP tem apenas duas faixas. A “Neblina” é densa, mas esconde um sol muito promissor. Foi, também, neste EP que a banda se aliou e contou com o apoio da Balaclava Records. O segundo álbum surge em 2016, e apresenta-se como: “Essa noite bateu como um sonho”. Esta banda é como a noite. As boas-vindas deste álbum são feitas pela “Sinais”. Este tema de abertura é sinal de que existem muitos e bons trunfos no Brasil. “A Prosa”, por exemplo, é enganadora. É uma poesia. “Chegadas e Partidas”, é um som que chega e que traz consigo imponência. Não se vai embora da nossa cabeça depois da sua chegada, isso é certo.


Após um interregno temporal substancial, a banda regressou em força para aquele que é, na minha opinião, o álbum mais bem conseguido do grupo. O “Violeta” foi gravado no Nico´s Studios. Não conheço o estúdio, mas após ouvir a produção sonora apresentada por estes rapazes, neste álbum, só se pode parabenizar o estúdio que esteve encarregue de dar luz a todas as músicas que cabem nele, no álbum. A “Yoko” é a faixa mais corajosa de todas. É a primeira e é, também, uma autêntica passadeira vermelha. A “Solidão de Volta”, além de ser a terceira canção do álbum, é também uma das minhas músicas preferidas de todo o percurso dos Terno Rei. Aquelas guitarras fazem-nos lembrar The Cure. Coisas que nos façam lembrar este tipo de bandas só podem ser boas. Muito boas. A estética do videoclip foi influenciada pelo grunge. O álbum fecha com o tema “Vento na Cara”. É uma cereja no topo do álbum, com uma mensagem universal e libertadora. É-nos transmitida a incerteza que nos atinge e a simplicidade que, por outro lado, nos liberta dela. Este álbum é-nos próximo porque as músicas narram, quase sempre, amores e desamores. As músicas deste projeto foram, quase todas elas, escritas pelo Ale Sater. O vocalista e baixista da banda simplesmente pega na guitarra e faz, desde logo, a base de determinado som. De seguida, junta-se com o Gregui Vinha (guitarra), Luís Cardoso (bateria), Bruno Paschoal (guitarra), e depressa dão corpo e estrutura aos rascunhos que o Ale inventa. O Gustavo Schirmer e o Amadeus De Zoe foram os produtores deste álbum e, esta mesma mudança, foi fulcral e diferenciadora naquele que foi o notável resultado final. A banda assumiu que existiram dias em que viam jogos de futebol no estúdio e que gravavam quinze horas seguidas, non-stop. Um bem-haja ao endurance! Os melhores locais para o sucesso por trás da composição, segundo o Ale, são a estrada e o quarto.


O grupo já marcou presença quer no Primavera Sound em Portugal, quer em Espanha. Ambicionam regressar e, como palco de sonho, têm ainda uma enorme vontade em atuar no Japão. O Bruno Paschoal tem uma ligação muito forte com a moda, chegando mesmo a ter uma marca, de nome: Surreal São Paulo. O Gregui também é sócio no negócio. Amigos amigos, negócios incluídos. Este é um dado importante e relevante porque é a garantia duma merch bem janota e recomendável.


A bagagem dos Terno Rei, até à data, é recheada de êxitos. A juventude da banda faz com que tenhamos, mais do que uma expectativa, uma certeza para o futuro. Tratam bem (d)o rock, a química está presente em cada criação. Essa naturalidade de processos faz com que o Terno deste Rei seja apenas um… o de copas.

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