Time For T

É tempo para falarmos de Time For T. Quando se fala na banda fala-se em sol, até porque a banda brilha como ele, com a vantagem de não ofuscar. O grupo foi formado em Brighton pelo Tiago Saga, que é não só a voz, como as cordas de guitarra da banda. O surgimento deste projeto deve-se ao facto do Tiago ter decidido ir estudar para Brighton. Estudou composição musical na Universidade de Sussex e foi um sucesso. Na cidade, depressa fez amizades e conheceu pessoas que, assim como ele, partilhavam a paixão pela música. Conheceu bandas e, sem que as bandas tivessem dado por isso, já tinha furtado os melhores elementos delas para, mais tarde, formar aquilo que hoje conhecemos como: Time For T. Quando a composição musical serve de mote para a composição de uma banda, é porque estamos perante algo promissor.


Este projeto é uma mescla cultural. O facto de existir tanta e boa diversidade a morar no seio do grupo, faz com que a produção musical consiga agarrar múltiplas influências, estas que são convergidas para um resultado musical apelativo e multifacetado. A banda situa-se naquele que é o designado Tropical Psych Rock. Todavia, também sentimos abordagens oriundas do Folk, Reggae e Desert Blues. A banda faz pelo estilo e o estilo faz jus à banda. As cores dos instrumentos são absorvidas incessantemente. Quando assim é, o quadro só pode ser bonito e tem sido. O groove insiste em ser participativo. A harmonia é assídua e não falta. As músicas são intemporais. É como se estivessem em permanência dentro de um frigorífico, pois elas vão-se perpetuando no tempo.


A criação lírica transporta uma certa intimidade, contudo isso não é impeditivo que, essa mesma lírica, culmine numa autêntica universalidade. O Tiago confidenciou-nos que tem como referências: Bob Dylan, Joni Mitchell e Nick Drake. Segundo ele, as letras têm de soar bem quando cantadas, só assim elas conseguem ser genuínas. Ou seja, tem de existir uma conexão intimista entre a escrita e a interpretação. Cada música transforma-se, assim, numa espécie de terapia gratuita. Muitas das letras, na sua essência, até acabam por possuir mensagens mais melancólicas. Porém, a forma de como a banda interpreta essas mesmas letras acaba por ser num mood totalmente paradoxal, é esperançoso e alegre que chegue para ser contagiante. Sabem como nos ativar a intitulada sensibilidade, aquela que nos permite ficar recetivos e predispostos a gastar tempo com a banda. Enquanto gastamos tempo com o grupo, temos a sensação de que o estamos a ganhar.


Em 2012, foi lançado o EP “Dream Bug”. Foi uma estreia pautada por um certo relevo acústico, sendo também intimista. Em 2013, surge o “Mongrel” e com ele veio uma reafirmação da qualidade demonstrada e transmitida no “Dream Bug”. Em 2015, sai à rua mais um EP, desta vez, o “Time For T”. Este lançamento já se aproximou mais daquilo que tem vindo a ser a identidade da banda. Consegue ser chilly, como se fosse um autêntico sofá. Em 2017, nasce aquele que é um LP luxuoso. O “Hoping Something Anything” é uma aventura cósmica. O conteúdo deste LP é, todo ele, categórico. Canções como “Ronda” ou “Tom Tom” são dois bons
exemplos daquilo que é e deve ser a arte musical. Ficamos rendidos, só por termos apontado os fones aos nossos ouvidos. Em 2019, é somado mais um LP, o “Galavanting”. Um trabalho sólido, leve e colorido como uma gelatina. Moram aqui faixas soberbas, como: “Screenshot” e “Calling Back”. Em 2020, em Julho, tivemos acesso ao single “Manteiga”. Esta “Manteiga” é tão boa que só é pena não conseguirmos barrá-la no pão. Ainda no mesmo mês, o “Captivity” deixou de estar em cativeiro e foi apresentado à liberdade. Logo de seguida, veio o “Qualquer Coisa” e o som está mesmo como o título da música. Está qualquer coisa… de fantástico. Tudo isto culminou, no mês seguinte, no “Simple Songs For Complicated Times”, que alberga os temas anteriormente frisados e não só. É um espelho musical dos tempos pandémicos e uma inspiração proveniente dos sucessivos confinamentos.


Em entrevista com a banda ficamos a saber que podemos esperar um novo disco do grupo, daqueles que não nos fazem abrandar. Apesar do lançamento estar alinhavado para o próximo ano é provável que tenhamos acesso a umas entradas, antes da chegada do prato principal.


Os Time For T são os dias de sol da música. Dias esses que equivalem à personificação do Verão. A frescura do rock da banda é calorosa, acreditam? Existe cada coisa mais antagónica. A ronda quando é feita por eles é sempre bem feita. Não podemos prever o futuro, no entanto, se o quisermos ouvir, basta ouvirmos Time For T.

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