Entrevista – Time For T

1 – Olá pessoal, tudo bem disposto? De salientar que não espero obter qualquer tipo de resposta quanto à vossa disposição. É a retórica que habita na questão. Ultrapassagem feita. Como é que aconteceu o nascimento de Time For T? Foi algo que demorou 9 meses ou a vossa união, e consequente formação, foi mais espontânea?


R: Boas Rui, tudo a andar por aqui obrigado. O nascimento foi uma metamorfose natural que começou em Brighton (2013) com o lançamento do primeiro EP (Dream Bug), desde então o projeto foi de um projeto a solo a sexteto, quinteto, trio e hoje em dia, quarteto baseado entre Lisboa, Madrid e Porto.


2 – O vosso percurso profissional sempre esteve conectado à música ou guardam outras facetas?


R: No começo foi sempre em paralelo com trabalhos part time (bares, eventos, vídeos, etc) mas desde 2015 que estamos todos a viver maioritariamente da nossa música. Infelizmente, durante a pandemia, muitos de nós começamos outros trabalhos, pois a maioria da nossa receita vinha dos concertos ao vivo. Por exemplo, eu (Tiago) comecei a trabalhar em produções de filmes e fotos durante o último ano, algo que tem me salvado e é um mundo muito interessante. A ver se consigo conciliar facilmente com a música.


3 – Sempre que vos ouvimos tiramos bilhete para uma viagem até ao Verão. Quais são as influências que vos levam a mergulhar nesse rock que é indie e tropical, e que tão bem dominam?


R: Muito obrigado, gostamos da ideia de criar música que soa bem a conduzir um carro com as janelas abertas numa viagem para um sítio que queremos ir. Penso que todos nós temos uma grande apreciação para a música criada nos anos 60’s e 70’s em lugares tão diversos como África do Sul aos EUA, do Brasil ao Reino Unido, resultando num som naturalmente mais solarengo.


4 – É sabido que vocês têm uma agenda “além fronteiras” sempre muito bem preenchida. Qual é o país que vos faz sentir em casa quando estão fora dela?


R: A Alemanha é sem dúvida um dos países que adoramos tocar. Tratam-nos super bem e temos um público fiel, que costuma voltar sempre que lá tocamos.


5 – De que forma o facto de a banda ser constituída por elementos de diversas nacionalidades, influencia a vossa produção musical? É fácil encontrar uma espécie de consenso no meio de tamanha diversificação cultural?


R: Penso que demorou alguns anos a conseguir encontrar uma linguagem coerente. No princípio, dentro do mesmo disco tínhamos uma canção afrobeat e logo depois uma de folk deprimente, hoje já conseguimos fazer afrobeat deprimente!


6 – Quais são as fontes a que vão beber para a construção lírica dos vossos temas?


R: Uma boa pergunta, sempre admirei muito as letras do folk anglo saxónico – Bob Dylan, Joni Mitchell e Nick Drake são poetas que me inspiraram. Para mim, as letras têm que saber bem quando as canto e isso normalmente acontece quando as letras são provenientes de um lugar honesto e verdadeiro. Por vezes, gosto de me pôr na posição de outras personagens e contar a história de uma perspectiva diferente, o que dá uma certa liberdade. Porém, geralmente canto de experiência própria – algo que também serve de terapia.


7 – Podemos constatar que, mais recentemente, têm apostado em músicas que dão boleia à língua portuguesa. Essa tendência será para se manter ou simplesmente não existe uma planificação prévia quanto à língua com o qual vão vestir determinada canção?


R: Pois, foi algo que aconteceu naturalmente. Viver na Mouraria em Lisboa desde 2015 inspirou-me a cantar em Português, o Fado e a música Cabo Verdiana é cantada pelas ruas e fui me apaixonando por essa linguagem. Com este último EP (Simple Songs for Complicated Times), finalmente consegui encontrar a minha voz em Português, algo que não foi fácil devido ao meu sotaque diferente (Algarvio de herança confusa). No próximo álbum, gravado pré pandemia, não há canções na língua Lusitana mas estou a trabalhar em novos temas que irão certamente ter toques Portugueses.


8 – Esta é uma questão mais técnica. É a parte em que os vossos instrumentos recebem os holofotes que tanto merecem. Ou seja, é um convite à apresentação dos instrumentos e do material mais usado pela banda. Se não existirem segredos tão misteriosos como o da receita da Coca-Cola, sintam-se na vontade de dar a conhecer o vosso arsenal de instrumentos. (Podem e devem frisar marcas e modelos. Se é para catalogar é para catalogar).


R: Não somos uma banda muito preocupada com marcas, etc. Se soar bem, soa bem. Mas… claro que somos um pouco nerds com certas coisas, o nosso guitarrista a solo Juan Toran tem um laboratório sonoro incrível, com pedais dos mais variados sítios, inclusive construídos pelo seu pai que é um engenheiro mecânico. Todas as guitarras da banda são da Fender, algo que aconteceu por acaso. A minha guitarra é uma Fender Coronado II, um modelo hollow body não muito usual mas que adoro, o Juan tem uma Telecaster e o Joshua tem um baixo lindíssimo Precision Bass. O nosso Baterista toca em tudo, de baterias da mais alta qualidade a vassouras numa mala de viagem.


9 – Existem novidades perto de sair do forno e ainda mais perto de conhecerem os nossos ouvidos?


R: O nosso novo disco está no forno, há-de sair para o ano mas com algumas entradas antes disso.


10 – Esta, por norma, é uma questão inicial. No entanto, surge aqui no fim. Time For T, porquê? Se traduzirmos a sonoridade do nome para um português literal e muito inocente, fica algo como: Tempo Para Chá. Porém, não é esse o mistério do vosso nome, pois não?


R: O nome surgiu de uma brincadeira, quando estudava na Inglaterra a malta tinha dificuldades em pronunciar o meu nome então começaram a chamar-me simplesmente “T”. Quando tinha umas canções gravadas prontas para lançar, tive que arranjar um nome e daí surgiu o terrível nome – Time for T. Uma brincadeira que colou.

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