CHVRCHES – “Screen Violence”

Os CHVRCHES, para quem não conhece, são uma banda escocesa. E para quem os conhece? Pois bem, continuam a ser uma banda escocesa. Fundada em 2011, na cidade de Glasgow. Nós também vamos, calma. São três os elementos que fazem parte do projeto: Lauren Mayberry, Martin Doherty e Iain Cook. O som dos CHVCHES é muito movimentado e frenético, o ADN da banda passa por diversos estilos que fazem com que o som seja um autêntico fogo de artifício. Desde o New Wave, ao Synth-Pop, ao EDM (Eletronic Music Dance) e ao Indietronica. São estes os ingredientes que fazem com que o bolo musical dos CHVRCHES seja tão saboroso e recheado. A banda usa o “v”, em vez do “u” a seguir ao “h” para se diferenciar das igrejas. Assim, quando pesquisados, não existe o risco de apareceram infraestruturas que estão longe de ser a ideia pretendida pela banda. Está explicada a troca subtil de letras.


O quarto álbum da banda é o motivo existencial deste artigo, o “Screen Violence”. Este álbum foge um pouco daquela que é a identidade da banda. Se noutros álbuns os CHVRCHES nos brindavam com texturas alegres, neste trabalho aquilo que encontramos é uma espécie de soundtrack para um filme de terror. Aquilo que predomina neste álbum é mesmo isso: o terror. O álbum foi escrito e produzido pelo trio. No som “How Not To Drown”, a banda convidou e contou com a colaboração de Robert Smith, dos The Cure. Segundo se consta, os breakbeats presentes em “Violent Delights”, assim como o som mais acústico presente em “Lullabies”, acabam por ser homenagens a Prodigy e a Blue Nile. O álbum está mesmo repleto de referências e de mensagens implícitas. Em “Nightmares”, o tema é conduzido através do ar sombrio do sintetizador. Além dessa característica, o tema foi inspirado no “Waking The Witch”, da Kate Bush. O “Better If You Don´t” é, para mim, um dos melhores temas do disco. Nesta faixa, o rock mais convencional aborda-nos quase que inesperadamente. Uma boa surpresa, daquelas que não custam 0,50€, como aquelas que comprávamos no fim das aulas, no Oliveira. O tema “Final Girl”, dá continuação ao terror e ao medo. Este “Final Girl”, é como estarmos a ver os créditos no final de um filme. Este tipo de som é uma motivação para invocar aquele que é o mood cinematográfico utilizado por John Carpenter, o mood em que a ficção científica e o terror andam de mãos entrelaçadas e sem transpirar. É um tema que conta com dois refrões distintos. Curioso, não é? “Asking For A Friend”, é um som que, pela intensidade, me faz lembrar um pouco de M83. É mágico. “California”, é um tema que fala sobre a curva descendente dos artistas. Essa mesma curva que os encaminha para o desgaste e desespero. “Good Girls”, calma… não pensem na série da Netflix. Mas, por falar nela, tenho ainda a 3ª temporada para ver. O refrão deste tema é convincente e tonificado. “He Said She Said”, outra que está no leque das minhas favoritas do álbum. Aquela introdução é como leite com mel, isto se vocês gostarem de mel. E claro, aquele refrão é uma erupção, no entanto, aquele pós-refrão onde o instrumental se expressa é maravilhoso!

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A banda confessou que, muitas das vezes, o público vê significados nas letras que não estão lá. Ou seja, o grupo por vezes é assediado por aqueles que não percebem a intenção lírica dos
temas e isso torna, não só o clima tenso, como faz com que exista sempre alguma fricção e contestação, sobretudo, quando a banda lança algo de novo.


Com o “Screen Violence”, a banda regressa pela porta grande. Aliás, regressa mesmo pelo portão! Um disco que aborda inúmeros aspetos sensíveis, desde as pressões que são sentidas, frustrações e o lado mais obscuro do mundo e das pessoas. Quem tiver umas belas colunas, é usufruir. Este álbum pede isso e eu também!

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