Pálidos – “Fim Do Nada”

Os Pálidos ganham cor e, é com essa mesma cor, que nos surge e é apresentado aquele que é o álbum de estreia do grupo. Já que estamos a falar de apresentações, aproveito a onda e pego, desde já, na prancha e apresento os membros do grupo: Nuno Coelho (Vocalista Principal e Guitarra), João Afonso (Guitarra e Vozes), André Guerreiro (Baixo, dono do solo em “A Brisa Passa” e Vozes), Manuel Duarte (Bateria) e Cláudio Pascoal (Teclado e Vozes).


Os Pálidos levam-nos numa expedição até aos recantos mais bonitos e puros daquele que é o rock mais convencional e fiel. As cordas das guitarras são sedutoras demais para ficarmos indiferentes. As camadas sonoras são vastas e, com elas, vem aquela que é uma complexidade harmoniosa só possível de ser obtida quando, a par com o talento, existe o bom gosto. O bom gosto existe, não sabiam? Se não sabiam, fiquem a saber que os Pálidos sabem. Os solos que nos invadem são sistemáticos, o palco para os solos é quase que construído através de um blues adjacente àqueles que são os ritmos impostos pela bateria e pelas teclas. O baixo é o nosso piloto, aquele que pega em todos os instrumentos e nos leva até à vibração das guitarras, ora rítmicas, ora espremidas até ao tutano. Existe uma cronologia descarada na construção deste álbum, o que culmina naquela que é uma ideia muito bem conseguida e projetada. Este álbum de praxe está tão lindo… Fossem todas as praxes assim, sem ovos e repletas de sabor! Ah… anteriormente, falei em ritmos impostos, certo? Podem permanecer calmos, estes impostos não são para pagar. São para se ouvir. E se fôssemos agora à review do álbum? Esqueçam os “se´s”. Vamos lá! Quanto a vocês? Venham cá!

Fim do Nada” é o álbum de estreia dos Pálidos – Glam Magazine


A introdução deste álbum é feita com o tema “7AM”. Ouvimos uma espécie de som cíclico, hipnotizante, que se vai acelerando e percorrendo diversos tons num carrossel imaginário de quem está embrenhado no sono. Ouvimos o ressonar de alguém que se quer esquecer da obrigação de acordar e, de repente, bang… O despertador dispara. Acordamos para o álbum e para a “Memória Pt. 1”. As teclas aqui são macias, parecem Nívea nas mãos. A percussão faz com que batamos o pé, sem magoar ninguém, até porque o batemos no chão. Os rasgos das guitarras chegam-nos por inteiro, neste que é um instrumental que nos promete ficar naquela que é memória daquilo que de fantástico vem a seguir. “9AM”, pois é, o tempo passa. Neste som, sentimo-nos numa estação de metro e à espera que algo se inicie. Pelo menos, pintei o filme na minha cabeça desta forma. “Assado”, é aquele que é sempre uma boa opção para o almoço, não é? É isso que se segue. Aqui, sentimos aquela que é a voz madura do Nuno com nitidez. Sentimos na pele, que se arrepia, aquele que é o coro das vozes e de todos os membros da banda. Um som que se quer degustar de forma lenta, até o refrão nos trazer uma vertigem e um poderio assinaláveis. Assinalo a pronúncia das teclas no refrão. Gostei muito do sotaque delas. Na conclusão deste tema temos um solo de guitarra incansável, no backgroud desse solo sentimos uns retalhos de algo que é indie e paradisíaco. O solo é a sobremesa deste tema. “3PM”, começa a chover. Abram-se os guarda-chuvas para guardarmos aquilo que se segue depois deste horário e depois do trovão… “A Brisa Passa”, som que já tinha sido lançado como uma espécie de antestreia do álbum. O riff desta música faz-me lembrar aquelas vibes de Lynyrd Skynyrd, aquele som cru das guitarras e aquele tempêro. Este som está construído na perfeição. A letra é bonita, é uma mescla de melancolia com um quê de esperança. Sentimos que podemos estar tristes e, ao ouvirmos este tema, vamos olhar para a tristeza através duma perspetiva positiva que até então desconhecíamos. O refrão é aquele punch de revolta e agitação. Temos a presença duma voz solitária que nos declama um trecho de algo bonito. O saxofone do Pedro Alcoforado é uma delícia. Como tudo, rigorosamente tudo faz sentido neste tema… Contém um solo que nos remete para a velha guarda do rock, um clássico que sabemos que nos vai atingir no meio da canção com este ou aquele solo. Pode ser aquele. Um must. São os ritmos, os tons, as tonalidades, as texturas… Que fossem todas as brisas assim porque, se assim fossem, não existiriam constipações. “7PM”, começa o Preço Certo e nós estamos ao pé do mar, a molhar isso mesmo, o pé, enquanto avistamos o sol. Tudo para dar certo. “Limão”, este tema serve para temperar o jantar. Temos aqui uma epopeia, um tema com quase 10 minutos que, por incrível que pareça, nos sabem a pouco. É a continuação de tudo o que disse anteriormente, apesar de termos acesso a umas mudanças de ritmo ousadas, imprevisíveis, pouco ácidas e, por consequência, bem apetitosas. Podemos esperar muitos twists nesta que é uma faixa que se estende nos nossos ouvidos como se estivéssemos a assistir a uma jam session. Que mood! Todos os instrumentos brilham aqui. Dá para fazer a apresentação de cada elemento da banda em palco, mas fácil. Será que o tema foi desenhado para isso? Eis a questão. Procura-se resposta com despesas incluídas. “11PM”, hora de vestir o pijama, mas não sem antes ligar o carro e sintonizar a rádio para o regresso a casa. Adiem a hora de o vestir. “Memória Pt. 2”, lembram-se da “Memória Pt.1”? Se tiverem boa memória lembrar-se-ão. As teclas introdutórias dão boleia ao blues no lugar do pendura, sem nunca nos deixar pendurados. Existe um pacto vocal tão cordial. Neste tema isso é salientado e vincado. Sou muito forte nos sinónimos, eu sei. Não tenho papas na língua. Mais um solo despejado sobre nós. Um mimo, o legado do rock respira mesmo nas mãos destes rapazes! Adoro a linha de baixo na conclusão do tema, grande groove! “12PM”, o sono emerge na companhia de uns pássaros primaveris com a garantia de que o dia não poderia ter sido mais produtivo. Que comece o sonho destes míudos! Um brinde!


O “Fim Do Nada” é, paradoxalmente, o início de tudo, dos Pálidos! Um álbum que é tão recomendável como beber água potável. Este álbum contém pérolas. Façam parte e ouçam!

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